Estudo da UCPel desenvolve protocolo fisioterapêutico para tratamento de pianistas


918  5 de janeiro de 2021

Atividades rotineiras e repetitivas podem levar à tensão cumulativa nos tecidos, provocando a síndrome do superuso. As dores nas articulações são comuns em diversas profissões, inclusive entre os músicos, que praticam seus instrumentos de uma a cinco horas por dia. As acadêmicas do curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Caroline Venzke e Karolina Costa, abordaram o tema em trabalho de conclusão de curso intitulado “Efeitos de um protocolo fisioterapêutico para a síndrome do superuso em instrumentistas de piano”, sob orientação da professora Cleci Redin Blois.

A proposta surgiu a partir do vínculo das estudantes com o projeto de extensão Fisioterapia na Comunidade, pelo qual atuavam na área de Saúde do Trabalhador. “Nosso público-alvo eram os flautistas da UFPel, mas começamos a ter procura dos alunos de Música com habilitação em piano, relatando queixas musculoesqueléticas em membros superiores. Então, pensamos em realizar um protocolo específico para instrumentistas de piano”, comenta Caroline.

 

Coleta de dados

A partir da revisão de literatura acerca da biomecânica envolvida durante o gesto musical, as pesquisadoras  selecionaram exercícios de fácil entendimento e que podem ser realizados em casa. O protocolo realizou cinco encontros semanais, de 90 minutos cada, através da plataforma Google Meet.

Cinco instrumentistas participaram do estudo, sendo dois do sexo masculino e três do sexo feminino, com idades entre 19 a 28 anos e estudantes do terceiro ao sexto semestre da graduação. Conforme depoimento, a dedicação ao piano varia de um a dez anos e com até cinco horas diárias de prática.

Dois instrumentos de avaliação foram aplicados pré e pós-intervenção do protocolo: o Disabilities of Arm, Shoulder and Hand (DASH), a fim de verificar a funcionalidade dos membros superiores, e o Diagrama de Corlett, para identificar as regiões corporais acometidas por dores e desconfortos, bem como a gravidade dos sintomas. Os dados foram tabulados e submetidos à análise.

 

Resultados

A pesquisa identificou que a síndrome do superuso já se faz presente durante a fase da graduação em Música. “Devido ao tempo de estudo do instrumento, necessário para um bom desempenho técnico, as atividades são também consideradas predisponentes a exceder o limiar de tolerância fisiológica”, aponta Karolina.

As pesquisadoras estudaram, por meio do Diagrama de Corpo de Corlett e Manenica, que é composto pela “Escala de avaliação de desconforto corporal” e “Problemas Musculoesqueléticos”, as regiões do corpo que os pianistas mais sentem dores. Cerca de 60% dos participantes do estudo apresentaram intensidade 4 (bastante dor/desconforto) na mão direita, punhos direito e esquerdo e antebraço.

Dentre os distúrbios que mais acometem os pianistas, as síndromes compressivas constituem de 10% a 30% dos casos, devido à necessidade de manter posições prolongadas em hiperflexão do cotovelo ou hiperflexão e desvios de punhos.

Após a aplicação do protocolo se obteve uma melhora na funcionalidade dos membros superiores. “Um músico pode evitar lesões fazendo exercícios de aquecimento e de alongamento, por exemplo, antes e após a prática instrumental. Além de propiciar uma execução instrumental mais eficiente, reduzem a probabilidade de lesão”, explica Caroline.

A pesquisa conclui que medidas de promoção e prevenção à saúde dos instrumentistas de piano são necessárias, com o intuito de evitar o adoecimento profissional, uma vez que o acometimento pela síndrome do superuso pode levar a transtornos funcionais severos.

 

Redação: Max Cirne

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